De costume

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Li uma vez, nas paredes perdidas da vida, que todos somos egoístas até que achemos alguém  com quem valha a pena pensar no plural. Porém, mais difícil que flexionar o contexto ao coletivo, é readaptar-se à rotina do singular. Fazer a partilha, redefinir os limites, acostumar-se com o silêncio e a mão desatada, que não mais entrelaça os dedos. E talvez por isso tamanho egoísmo. Egoísmo que se isola, no intuito de evitar o desgaste de um coração que batia na sincronia de dois, e que agora sofre a fadiga de reaprender a frequência da solidão. 

Mesmice

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Eu te amo, flagelando meu próprio eu, eu te amo. Mesmo negando que você não é insubstituível e que todos aqueles momentos nem foram assim tão especiais. Mesmo deixando você ir, enquanto choro pela saudade que ainda nem começou, mas que já tenho medo de sentir. Mesmo não te pedindo pra ficar, ainda que minha vontade real é te segurar pelos braços e não te deixar ir embora. Mesmo não olhando mais nos teus olhos, pois quero esconder que no fundo tenho lágrimas de tristeza e não ódio pelos teus atos. Mesmo não ouvindo a tua voz, que costumava me arrancar horas de boas conversas. Mesmo não fazendo mais parte dos teus dias, após acreditar que iríamos dividir uma vida inteira. Mesmo estando longe, eu te amo. E amo mesmo. Amo por inteiro, amo com força,  amo mesmo não sabendo amar. Porque confesso que já não sei mais como fazer, e qual seria a razão disso. Mesmo negando, mesmo deixando, mesmo não pedindo, nem olhando nos teus olhos ou ouvindo a tua voz, eu amo. E amo mesmo, mesmo no fim, que enfim possuo a certeza que já não quero mais te amar, mesmo te amando.



"Eu te amo. Mesmo negando. Mesmo deixando você ir. Mesmo não te pedindo pra ficar. Mesmo não olhando mais nos teus olhos. Mesmo não ouvindo a tua voz. Mesmo não fazendo mais parte dos teus dias. Mesmo estando longe, eu te amo. E amo mesmo. Mesmo não sabendo amar." - CaioF. 

Aquela música que fala do amor

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Porque quando se ama a gente escorrega, tropeça e mesmo sem querer parece assim, um tanto malcuidado, estragado. Porque quando se ama não da pra explicar, passa o dia todo querendo encontrar, porque para quem ama não há substituição, e se adoece, amolece querendo ver. Aquela música que fala do amor, aquele som daquele coração que jura todos os dias que poda mudar, que vai se ajeitar, endireitar "por você". 

Indisplicência

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Nenhum ser humano pode convencer um outro alguém de seus erros, muito menos ensina-lo o que é consideração. O orgulho cega os olhos, eleva o tom da voz e fere sentimentos na certeza de uma falsa razão. A percepção deve ser inerte, o cuidado proporcional. Tudo que se ama se difere, e aquele que se faz indiferente distancia, amordaça até sufocar.

Setenta vezes sete

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Porque assim como as dores da carne são diferentes das da alma, também deve ser o arrependimento. Arrepender-se vai além de um "desculpe-me" e perdoar requer muito mais do que um simples "eu te perdoo". O preço do perdão de um sentimento ferido é bem mais caro do que hipócritas falas decoradas. O preço de um perdão deve ser pago com mudança. Mais do que palavras, aliás, dispensáveis palavras, a transformação de um caráter sujo, ou de atitudes duvidosas, fazem mais barulho do que mil gritos de remorso. E é aí que mora a diferença dos verdadeiros arrependidos, daqueles que se preocupam. Aqueles que amam, se importam, erram e se redimem - com atos; já os indiferentes pecam e seguem adiante, sob a covardia de sua humanidade, alegando que aquela é sua natureza e que um dia mudarão. Disse Jesus que devemos perdoar não apenas sete; mas até setenta vezes sete. E é o mesmo Cristo quem nos alerta à transformação verdadeira. Antes sermos frios do que mornos, porque os mornos serão vomitados. Antes não se arrepender do que confessar uma contrição falsa, sem anseio de mudança. Por isso, podemos dizer que só há mudança com amor e pelo amor. Porque o amor tange a alma, ao contrário da carne que se redime momentaneamente, apenas em períodos breves de conveniência. Porque o amor tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta... perdoa. Não há falha ou queda que desate um sentimento verdadeiro, ou que consiga separar corações que batam em sintonia. Porque o amor tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta... tudo refaz. Não há mudança que não se faça, por mais difícil que pareça, para aqueles que amam e não querem se perder. O preço do amor é a renúncia, a entrega... e eu chego as sete, para perdoar setenta vezes sete.

30m²

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Arrisco-me a dizer que o tempo seja, talvez, a criação mais complexa feita por Deus. Penso isso, pois hoje olho para trás e vejo um turbilhão de transformações e uma vida intensa, amontoada de emoções e que se segue, constante. Há um ano atras, escrevia sobre anseios e medos, e concomitante à ansiedade por uma grande mudança, dizia um adeus marejado - de quem deseja a novidade com o coração apertado em se despedir. Há exatos doze meses, soltava a mão dos meus amigos, dando tchau e aprumando a vela, para seguir junto aos ventos do destino. Saí da segurança dos meus pais, marquei um ponto final e, comprometido com os meus objetivos, iniciei uma nova etapa. Enfim, o tempo passou e posso dizer que encerro amanhã meu primeiro ano em Brasília. Sei que a ausência será passageira, mas confesso que vou embora diferente. Além das minhas dezenas de roupas sujas, levo na minha bagagem as inúmeras lembranças destes últimos dez meses. Por aqui compreendi o que é começar ~e recomeçar, várias vezes~, fiz novas amizades e aprendi o real significado da palavra confiar. Mais do que a experiência de morar sozinho, ou de começar uma graduação, eu vivi Brasília. Vivi a #secaDF, andei pelas entrequadras, morri de tédio. Amei, chorei, perdoei, encontrei pessoas com gostos semelhantes aos meus, contornei diferenças. Bons tempos nunca foram tão bons, e o especial nunca fará tanta falta, mesmo num curto espaço de tempo. A despedida nem se fez e a saudade já está presente. Obrigado por fazerem parte disso e, por favor, estejam aqui na volta.

No apagar do sol

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Não quero mais ficar sozinho, cansei de ser só. Por que você não vem? Que é pra me tirar desse aperto, desse silêncio em desespero que me deixa assim, borocochô. Vem sentar do meu lado, me fazer um carinho. Deixa eu deitar no seu colo, ganhar um cafuné... te contar uns segredos. Não me deixa solto assim não, vem colar em mim.